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quarta-feira, 5 de julho de 2023

terça-feira, 4 de julho de 2023

domingo, 12 de fevereiro de 2023

IA já está aprendendo sem que precisemos lhe ensinar

IA já está aprendendo sem que precisemos lhe ensinar: Os grandes modelos de linguagem, como o GPT-3, estão aprendendo a realizar tarefa para as quais não foram treinados.

Aprendizagem no contexto

Grandes modelos de linguagem, como o GPT-3 da OpenAI, usado na estrela do momento, o ChatGPT, são redes neurais massivas que podem gerar texto semelhante ao criado pelos seres humanos, de poesia a códigos de programação. Treinados usando dados da internet, esses modelos de aprendizado de máquina pegam um pequeno texto de entrada e então preveem o texto que provavelmente virá a seguir.

Mas isso não é tudo o que esses modelos podem fazer. Pesquisadores estão explorando um fenômeno curioso, conhecido como aprendizagem no contexto - ou aprendizagem contextual - no qual um grande modelo de linguagem aprende a realizar uma tarefa depois de ver apenas alguns exemplos - apesar do fato de não ter sido treinado para essa tarefa.

Por exemplo, alguém pode alimentar o modelo com várias sentenças de exemplo e seus sentimentos (positivos ou negativos), então solicitar uma nova sentença, e o modelo pode fornecer o sentimento correto.

Normalmente, um modelo de aprendizado de máquina como o GPT-3 precisaria ser treinado novamente com novos dados para essa nova tarefa. Durante esse processo de treinamento, o modelo atualiza seus parâmetros à medida que processa novas informações para aprender a tarefa. Mas, com o aprendizado no contexto, os parâmetros do modelo não são atualizados, então parece que o modelo aprende uma nova tarefa sem passar pelo processo de aprendizado.

Cientistas do MIT, Google Research e Universidade de Stanford estão se esforçando pra desvendar esse mistério. Para isso, eles começaram estudando modelos menores, mas muito semelhantes aos grandes modelos de linguagem, para ver como eles podem aprender sem atualizar os parâmetros.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Odisseu e seu retorno para casa

 


Já ouvimos falar do retorno de Odisseu para Ítaca, e do extermínio dos pretendentes. O que talvez não se sabe é o simbolismo dos nomes dos pretendentes que tentaram usurpar sua casa e suas terras.

Este episódio é denominado "Mnestherophony" (assassinato de pretendentes). Odisseu, instruído pela Deusa Atena, disfarça-se de mendigo para observar a situação de sua casa e preparar sua vingança, ajudado por seu filho Telêmaco e por seus fieis amigos, Eumeus e Filétios. Os pretendentes são muito numerosos e todos bastante vigorosos: cinquenta e dois vêm de Doulichion, vinte e quatro de Samé, vinte de Zante e doze de Ítaca. A este número somam-se servos, seis para os pretendentes de Doulichion, mais o arauto Medon e o aede Phemios. É, portanto, ao todo, mais de uma centena de oponentes que Ulisses deve enfrentar em seu retorno.

Homero estabelece uma ordem de prioridade para livrar Odisseu dos pretendentes para recuperar a sua vida perdida. Nada nesta alegoria é acidental, há um significado profundo que ainda é válido hoje em todos os lugares ao nosso redor, basta você olhar... e ver. 

O primeiro pretendente que Odisseu exterminou é Antínoos (filho de Eupithes). A palavra fala por si, é a contra mente, ou seja, aquele que distorce a realidade para que não pensemos claramente, a fim de controlar a situação. Segundo Homero, este é o maior perigo para a subjugação e escravidão do homem, portanto ele deve morrer primeiro.

O segundo pretendente a ser eliminado é Eurymachus (filho de Políbio). Ele é o homem que usa quaisquer meios para vencer, legítimos e ilegítimos, então ele é um lutador feroz e implacável.
O terceiro para que Odisseu mata é Anphinomus (filho de Nisos, vindo de Doulichion), ele é quem distorce a lei e muda a ordem das coisas. Ele é perigoso porque está em todos os lugares.

O quarto pretendente da série que Homero menciona que Odisseu matou é Agelaos (filho de Damastor), ele é o enganador do povo, o único que pode levar o povo a degraus perigosos com palavras vazias. Ele pode até, com a ajuda de Antínoos, transformar o povo em um rebanho guiado.

A ele seguem Leócrita (filho de Évévor), Eurydamas, Pisandre (filho de Polyctor), Ctésippe (filho de Polytherse, vem de Samé), Léiodès (filho de Oenops), Eurynomos (filho de Egyptios), Amphimedon, Demoptolemus, Polybius, Euryade e Élatos. Junto dos pretendentes, também caíram seus apoiadores, e após o massacre, as almas dos pretendentes são guiadas ao Hades por Hermes e juntam-se aos mortos da Guerra de Troia.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Mensagem para minhas turmas deste primeiro semestre de 2020... um ano desafiador.

https://youtu.be/Io0O75gAtxY

Turma, esse semestre foi um grande desafio. Desde seu início. Durante todas as semanas. E o final não podia ser menos desafiador.

"Não adentre a boa noite apenas com ternura... não entre nessa noite acolhedora com ternura.
Pois a velhice queima ao cair do dia... fúria, fúria contra luz que o esplendor já não fulgura.
Embora os sábios no fim da vida saiba que é a escuridão que perdura pois suas palavras não capturarão a centelha tardia, não adentram essa boa noite apenas com ternura, os bons que após o ultimo aceno choram pela alvura por que seus frágeis atos bailariam numa verde baía... lute, lute contra a luz que não mais fulgura.
Os loucos que roubarão e cantarão o sol na altura e aprenderam tarde de mais que o lamento toma a sua via, não entram tão gentilmente nessa boa noite escura.
Os graves em seu fim enxergam, com olhar que perfura o olho quase cego, a brilhar como meteoro então se alegraria... luta, luta contra a morte da luz que já não fulgura.
E a ti meu pai te imploro agora, do alto e acima de tudo que perdura que me abençoes e maldigas com a sua lágrima... eu te pediria não entre nessa noite acolhedora com doçura... odeie, odeie a luz cuja o esplendor já não fulgura.
" Dylan Thomas.

A última aula sempre é muito melancólica, pra mim. Pois é a hora de medir, pesar, verificar se todo o esforço empenhado ao longo do semestre fez alguma diferença, se o impacto emitido foi sentido. E por mais que eu saiba que este impacto não é visível imediatamente, pois se propaga ao longo do tempo como as ondas na água... A expectativa de perceber alguma mudança, indelével que seja, sempre gera ansiedade e, muitas vezes, esse sentimento presente no poema de Thomas... de solidão, fragilidade, senilidade.

Mas aqui está o motivo de compartilhar esse poema nessa despedida, e não é a melancolia e tristeza, mas sim a alegria de ter compartilhado conhecimento com vocês, a satisfação de conseguir alterar, mesmo que só um pouquinho, a visão de mundo que vocês possuem, enfim, nas palavras do poeta: "E a ti meu pai te imploro agora, do alto e acima de tudo que perdura que me abençoes e maldigas com a sua lágrima... eu te pediria não entre nessa noite acolhedora com doçura... odeie, odeie a luz cuja o esplendor já não fulgura." O tempo é um adversário que não está sujeito a lesões, ou fadiga... e por mais que sejamos resistentes, o tempo sempre nos alcança... mas não é motivo para cairmos docilmente, não! Se vamos ir, então iremos lutando, com coragem e um sorriso nos lábios.
Muito obrigado, vocês fizeram deste semestre tão cheio de tristezas, uma das melhores lembranças que eu contarei em todos os semestres seguintes!

Um fraterno abraço,
Prof. Luciano Dornelles.