“No futuro distante, vejo campos abertos para pesquisas muito mais importantes. A psicologia será baseada num novo fundamento, baseado na necessária aquisição de cada poder e capacidade mental via gradação. Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história.”
Charles Darwin, em A Origem das Espécies, 1859
A Origem das Espécies - para muitos, a obra mais importante da história da ciência. Darwin enxergou algo fundamental e revolucionário sobre o funcionamento da natureza: um mecanismo pelo qual espécies podem evoluir, diferenciar-se e originar novas espécies por meio de forças exclusivamente biológicas, sem necessidade de intervenção divina ou atos sobrenaturais. Um mecanismo tão poderoso que, como Darwin bem previu, abriu caminho para novos - e polêmicos - campos de estudo a respeito da existência humana.
Que o homem evoluiu de um ancestral comum com os primatas já é uma certeza científica universal, confirmada por um batalhão de informações genéticas produzidas desde a descoberta do DNA. Mas será que a espécie humana ainda está evoluindo? E até que ponto a seleção natural poderia explicar não apenas a evolução de características físicas do ser humano, como a postura ereta e o cérebro grande, mas também de características comportamentais, como o altruísmo, o egoísmo, o racismo ou uma propensão à infidelidade conjugal? Essas são algumas das perguntas darwinianas com as quais cientistas e filósofos de um “futuro distante” se digladiam no presente.
Charles Robert Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, Inglaterra, tendo falecido a 19 de Abril de 1882.
Frequentando a Universidade de Edimburgo a partir de 1825, enquanto estudante de Medicina, começou desde cedo a interessar-se por história natural, viajando, logo em 1829, para o País de Gales, onde observaria, coleccionaria e estudaria insectos com o entomologista Frederick William Hope.
Já depois de uma passagem de cerca de 3 anos pela Universidade de Cambridge (onde conheceria o geólogo Adam Sedwick e o estudioso de botânica John Henslow), embarcaria a bordo do Beagle no final de 1831, partindo de Plymouth, numa viagem que - tendo inicialmente por missão principal a exploração da costa da América do Sul - acabaria por ser de circum-navegação do globo terrestre, ao longo de cerca de 5 anos, em que passaria por lugares tão variados como Cabo Verde, Terra do Fogo / Patagónia, Ilhas Falkland, Chile, ilhas Galápagos (território a 900 km da costa, hoje pertencente ao Equador), Tahiti, Nova Zelândia, Austrália (viria a dar nome à capital do “Northern Territory”), Ilhas Maurícias, Cabo da Boa Esperança, Brasil, ou Açores, antes de regressar, chegando a Falmouth em Outubro de 1836.
Viria a tornar-se um naturalista, desenvolvendo a teoria da seleção natural (1838), acabando por propor - na sua obra maior, publicada em Londres a 24 de Novembro de 1859, ”A Origem das Espécies” (On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life) - a teoria da evolução das espécies, fruto das suas observações e experimentações, nomeadamente ao longo de quase cinco anos a bordo do Beagle, em que teve a oportunidade de encontrar uma grande diversidade de características geológicas, fósseis, e organismos vivos.
Darwin introduziria a ideia da evolução a partir de um ancestral comum, por meio da seleção natural, assentando nos seguintes fundamentos:
- Hereditariedade (transferência de características genéticas, de progenitores para os seus descendentes)
- Competição (dada a escassez de recursos, as diferentes espécies vêem-se impelidas a uma competição natural, lutando pela sobrevivência)
- Seleção natural (em função das capacidades de adaptação de cada espécie, a probabilidade de sobrevivência será maior nos seres de maior aptidão)
- Variantes (cada tipo de população tem uma variante, de que é exemplo o tamanho dos bicos dos tentilhões das ilhas Galápagos)
- Reprodução (as diferentes espécies têm a capacidade de “produzir” cópiasde si próprias).
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